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Um Mundo em Cinza

  • Foto do escritor: Vanessa Leandro
    Vanessa Leandro
  • 27 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura



Não existem palavras, em nenhum idioma, fortes ou expressivas o suficiente pra descrever o meu amor por você, mas posso dizer com o que eu te amo.

Com minha alma, porque sinto que sem você sou um corpo vazio... flesh and blood.

Com minhas células que só respondem ao teu toque, e hoje se desintegram. As que restam, sem cor, são puramente coisas aleatórias circulando pelo meu corpo.

Com o oxigênio que circula pelo meu organismo, que percorre todos os órgãos e me permite continuar te amando, porque sei que não acabou, por isso ainda respiro.

Com todos os meus pensamentos, os bons, quando penso em nós, e os maus, os que te distanciam ainda mais de mim.

Com o desejo assassino que percorre o meu corpo, dilacerando minha carne que anseia pelo toque absurdo das tuas mãos, esse toque que me alucina como se penetrasse os poros da minha pele em carne viva e circulasse minha corrente sanguínea como fogo.


Como anseio teu toque... Não há palavras pra isso idem.


Te amo quando miro teu olhar doce, bondoso, paciente e carinhoso... Hoje numa imagem.

Amo recordar meu nome saindo pelos teus lábios. É como um beija-flor que toca a flor e suga a pureza doce da vida que só assim faz sentido.


Sentido. Como encontrar agora?


Tudo é cinza. Virei cinzas quando você "se foi".

Sou um amontoado de pó que o vento leva pra qualquer lado.

Uma partícula perdida num mundo cinzento, cheio de beleza, não posso negar, mas sem cor.

Sem cor como um dia nublado e extremamente frio.

Como a água gelada e escura do mar que nada reflete porque tudo o que espelha é a escuridão de um céu com nuvens carregadas de um cinza agourento que espreita meu caminhar perdido.

Um mar sem ondas que sopra um vento gelado e cortante, transformando tudo em tristeza e solidão.


Olhando ao redor percebo que minha coberta é cinza, a mochila, o pijama, o casaco.

O cinza me veste e me cobre.


Me sinto sozinha e, na maioria das vezes, sinto que minha luz apagou, que estou no escuro com alguns seres tateando, querendo me encontrar - aquela que fui-, insistindo que eu tenho que ser algo que já não sou;

Que eu devo sentir algo que não consigo;

Que eu devo pensar desse ou daquele jeito, porque não posso fazer isso ou aquilo comigo.

Falam de amor próprio como se fosse uma xícara de café que você toma e automaticamente aquece teu corpo, fazendo o frio interno passar.

Mas o frio que sinto nem as cobertas cinzas e grossas vencem, nem uma lareira já cheia de cinzas pôde aquecer.


O frio é ósseo, sem cor. Um vapor que percorre minha espinha, acinzentando tudo por onde passa.


Vejo a vida em cinza, vejo o sol anêmico, vejo o céu pálido.


Quando você se foi, levou toda a cor.


Eu sou isso: só, mono... Cromática.

 
 
 

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Kapane, Vanessa

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Mulher de 40, em busca de si, dos caminhos pra realizar delírios de um agora cheio de sonhos futuros. Errando, aprendendo lentamente e honestamente amando o que me transborda.

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